Desde o ano que se passou engordei quase 10kg. 

Tenho roupas que não cabem mais, tenho rasgos pela pele e sinto um constante mal estar. Eu sei que aumentar de peso não é motivo para desespero e passo longe de ser a pessoa que acha que está gorda. Apesar disso, eu sinto que algo não está certo.

Eu não sou gorda, o meu biotipo é outro. “Eu estou acima do peso que eu deveria estar.” Essa é a resposta que repito para me contentar com todas essas expectativas que coloco em mim e o lado perverso do marketing de beleza insiste em reforçar. Eu leio sobre auto-estima e tento me aceitar. Ainda assim, tenho a sensação de que este corpo não me pertence.

Queria poder vestir as roupas que me fazem ser eu mas elas não me cabem mais. A mídia, mais uma vez, me engole e me faz querer comprar tudo de novo. Cada ida em uma loja de roupas, cada peça que não me veste no provador, cada estampa que não me representa é um suspiro dado.

Eu não quero ser outra, eu não quero ter que vestir outras roupas. Eu quero ser eu, quero ser minha memória e aquilo que sempre representei de mim pra mim. Eu não consigo. A roupa não entra. Eu compro mesmo assim.

Não sei lidar com isso agora mas eu vou mostrando como sou e vou sendo como posso.

“Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta”
– Novos Baianos