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Hoje eu acordei e vesti uma camiseta de listras verdes, fiz uma trança no cabelo e coloquei minha pulseira de trevos. Coloquei os fones no ouvido e com o volume mais alto do iPod comecei a cantar Whiskey In The Jar. Minha mãe parou e me questionou: “que tu ama a Irlanda todo mundo sabe mas qual o motivo mesmo?” Nunca tinha parado pra pensar que cheguei a falar sobre com a família ou meus amigos mais próximos. Pra mim sempre foi uma coisa tão natural que não via motivo pra simplesmente explicar. A mamãe perguntou e eu vou aproveitar e explicar pra todo mundo!

Dia 17 de Março é meu dia preferido do ano tem uns 4 anos e embora eu nunca tenha tido a oportunidade de visitar a Irlanda a minha conexão com o lugar é completamente justificável. Uma das lembranças mais legais da minha infância é meu pai me colocar pra dormir ao som de “Storms In Africa” e “Orinoco Flow“. Ele não sabia mas ao colocar Enya pra uma criança de 5 anos dormir ele semeou a cabeça de uma jovem adulta que hoje considera a coletânea de um dos principais nomes da música Irlandesa (e New Age) uma das mais importantes da sua vida.

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E uma coisa acabou levando a outra. A Enya foi a porta de entrada pra música celta, sem dúvidas. Hoje acabo escutando bandas como The Chieftains, Altan, Dervish, Howard Shore, com suas músicas instrumentais ou tradicionais canções em irlandês. O meu gosto por ska/rock também me fez curtir muito bandas como Flogging Molly, The Dubliners, Irish Rovers, Dropkick Murphys, The Rumjacks, MxPx.. E eu poderia passar o resto do dia citando bandas da terceira maior ilha da Europa.



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A mesma Nina que cresceu ouvindo Enya também cresceu lendo Astérix e Obélix, também por influência do papai, e ficando fascinada pelos celtas. A Gália (hoje um território majoritariamente francês) me introduziu no mundo dos bárbaros e acabou me apresentando uma vila tipicamente celta. Bagunçada, engraçada, mística e completamente feliz por sua simplicidade. Um de meus maiores arrependimentos é ter ido a Paris e não conseguir vaga pra comer no Nos Ancetres Les Gaulois, um restaurante de buffet livre inspirado em um ambiente celta, onde pessoas diferentes sentam, conversam e bebem juntos em grandes mesas. Lembrou do fim da revistinha? Lembrou? É mais ou menos aquilo.

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Conhecendo um pouco mais a cultura da ilha eu encontrei coisas fantásticas! A arte dos nós celtas, as lendas de bruxas, changelings, leprechauns, reis e rainhas, batalhas.. A história e cultura popular do lugar chegam até a se misturar, algumas vezes. Você pode acessar aqui uma lista das lendas mais conhecidas. Diversão garantida! E ah, a cerveja.. Eu sou uma apreciadora de cerveja sem igual. Nada como uma stout numa sexta-feira após o expediente, né? Ou um irish coffee pra acordar! Em busca do meu lema “menos quantidade, mais qualidade” eu não poderia ter deixado de esbarrar na Guinness, minha cerveja escura preferida que por sinal é produzida na terra das fadas e duendes (será que eles que ajudam a breja a ser tão boa?). Como uma boa campista eu também sonho em acampar em inúmeros condados. Quero conhecer Belfast, Dublin, Cork, Galway pra comer as comidas típicas e sentir saudade da comida do Brasi. Quero aprender o que eu puder de irlandês pra me comunicar com as pessoas mais idosas do interior, assistir uma peça com sapateado e me sentir, finalmente, parte daquele lugar.

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No fim de 2013 eu tentei intercâmbio pra Irlanda e acabei não sendo homologada dentre as pessoas indicadas por conta da minha nota de proficiência na língua inglesa. Acho que só o Vitor Machado sabe o quanto eu chorei quando descobri que por duas questões que perdi porque passei mal na prova eu poderia estar hoje voltando de um ano maravilhoso na terra dos leprechauns. Eu não iria desistir ali. Sempre soube que meu inglês é mais que competente pra um intercâmbio da faculdade e eu teria que tentar tudo novamente. No início de 2014 eu decidi tatuar um trevo no pé. E quantas vezes eu ouvi um “Nina, mas porque não é um trevo de quatro folhas? Um trevo de três não é nada..” vocês não vão acreditar. São Patrício, o padroeiro da Irlanda, em suas missões de catequese dos bárbaros utilizava um trevo para explicar o conceito da Santa Trindade. Hoje o shamrock (nome de referência ao trevo), a harpa e a cruz celta são símbolos nacionais e eu decidi tatuar um trevo pra não esquecer nunca dessa conexão que tenho com um lugar que nunca coloquei os pés.

Tatuo minhas convicções e posso dizer que depois de terem recusado meu intercâmbio pela segunda vez eu vou tentar mais uma vez e outra e outra e outra até finalmente viver essa experiência fora do Brasil. Hoje é dia de comemorar tudo de bom que diz respeito a Irlanda. A roupa tá vestida, o cabelo tá feito, a festa de comemoração no pub é amanhã e hoje só vai rolar música boa por aqui. Ano que vem, quem sabe, é lá no outro hemisfério. E aí, qual o dia preferido do ano de vocês? =)