Quando eu tinha uns 8 anos costumava brincar de casinha e imaginar que eramos adolescentes mais velhas, com responsabilidades minúsculas (eu achava que ter que arrumar a casa era muita coisa) e namorados pro resto da vida. Hoje eu tenho 20 e não poderia me ver de outra forma: mal vejo a hora de chegar nos 26 pra poder me ver como Arquiteta e Urbanista morando em uma outra cidade talvez do outro lado do mundo, com um marido que me ajude a trabalhar em casa vivendo confortavelmente com o mínimo de coisas que me deixem presa a um só lugar. Hoje, olhando pra trás eu vejo como era engraçado ser aquela menina que imaginava como seria o futuro. Será que eu vou rir de tudo quando estiver uns 5 anos daqui pra frente?

As vezes eu fico muito agoniada e ansiosa querendo que tudo de bom que tem pra me acontecer na minha vida venha agora mas eu ainda preciso passar por muitas situações diferentes que me tornem preparada pra tudo o que está por vir. Já dizia Little Joy, ou um trecho modificado que quer dizer mais ou menos isso, “saiba que o caminho é o bem, mais que chegar”. Não adianta querer constituir uma família com 20 anos ou mudar radicalmente de vida se você não sabe como vai proceder quando chegar uma complicação.

Você trabalha. Você estuda. Você não tem uma fonte de renda. Os motivos podem brotar do solo quando você começa a ser realista na quantidade de coisas que quer realizar. Não adianta querer colocar a carroça na frente dos bois. Se eu tenho responsabilidades que me prendem ao meu lar eu não posso me frustrar por ficar imaginando como tudo poderia ser no futuro. Claro que temos que traçar metas nas nossas vidas mas chega uma hora que você tem que ser bem forte pra se colocar no seu lugar. Não adianta planejar mil viagens pra fora que não podem ser realizadas no momento. Prefira uma ou duas viagens pra onde você tem a certeza que pode ir. E escreva ali no caderninho o nome daquela viagem que, não importa se é em um ou 3 anos, tem que acontecer.

Todo esse tempo de espera é um sacrifício para pessoas ansiosas. É uma saída a menos pra poder curtir um dia a mais em uma cidade nova, um delivery a menos pra poder comer bem do outro lado do mundo.. Pras pessoas que sofrem e batalham por seus planos eles sempre serão realizados. Eu, por exemplo, me encontro completamente atada ao solo cearense com mil e um motivos e vontades de passar muito tempo fora. Mas, mais uma vez, sejamos realistas: não é simplesmente arrumar as malas e sair. Planejar uma viagem pra mochilar, uma viagem de 3 meses ou simplesmente um intercâmbio é uma coisa que requer tempo, dinheiro, paciência, momento oportuno e isenção de responsabilidades. Você tem que pensar em todas as possibilidades do seu “retiro pessoal” dar zica e você tem que estar mais que preparado pra resolver tudo. Senão, é melhor ficar em casa mesmo assistindo aquelas boas séries no Netflix..
Tenha ídolos, se cerque de pessoas inspiradoras. Manter essa chama acesa pra viagem que você quer fazer é o que vai alimentar esse seu “wanderlust”. Seja com boas fotos, bom conteúdo escrito, bons vídeos, bons filmes e música, sinta-se confortável como no lugar que você queria estar. Trace metas e pare de ficar fantasiando sobre esses 5 anos que ainda estão por vir. É mais fácil encarar uma lista de coisas a fazer do que simplesmente olhar pra trás e ver que você poderia ter feito muito mais, viajado muito mais, amado muito mais etc. Os 16 anos tornam-se 26, os 26 tornam-se 36 e quando você reparar aos 66 a soma de coisas boas, pessoas boas e lugares bons que tu já visitou poderiam dar uma história daquela digna de se contar pros netos.
E, quando eu parar pra me sentir mal por ver uma quantidade assustadora de pessoas bem-sucedidas que estão viajando o mundo e vivendo disso eu tenho que tomar uma xícara de chá de realidade. Afinal, eu ainda tenho 20 anos, muito o que construir e tenho a certeza de que esse mundo tá aí só esperando pela minha visita.